Uso e limites da inteligência artificial

A revista Anales de Teología reconhece que os sistemas de inteligência artificial generativa podem auxiliar em algumas tarefas de escrita e gestão acadêmica, mas considera que o trabalho teológico consiste em formular problemas, construir argumentos, interpretar fontes e assumir publicamente uma posição fundamentada. Por essa razão, esta política distingue entre os usos que incidem sobre a forma de um texto elaborado por seus autores, admitidos pela revista mediante declaração, e aqueles que substituem a elaboração intelectual do trabalho, que não são admitidos. Aplica-se aos autores, pareceristas e editores e complementa as políticas de Integridade, originalidade e autoria, Processo editorial e avaliação por pares e Ética e independência editorial.

Princípios gerais

Os sistemas de inteligência artificial não podem ser reconhecidos como autores ou coautores, pois não podem assumir responsabilidade por uma contribuição, aprovar sua publicação, declarar conflitos de interesses ou gerir direitos. Os autores respondem integralmente pela exatidão, originalidade e legalidade de todo o conteúdo apresentado, inclusive pelas partes em que alguma dessas ferramentas tenha sido utilizada.

As decisões editoriais, a avaliação por pares e o exame de possíveis infrações são atividades humanas. Nenhuma decisão sobre um manuscrito ou uma pessoa será tomada com base exclusiva no resultado de um sistema automatizado.

Para os fins desta política, entende-se por inteligência artificial generativa qualquer sistema capaz de produzir, reformular, resumir ou traduzir textos, imagens ou outros conteúdos a partir de instruções. Os corretores ortográficos e gramaticais que não reformulam o texto, os gerenciadores de referências e os mecanismos de busca convencionais não são considerados usos de inteligência artificial generativa.

Usos por parte dos autores

Usos admitidos mediante declaração

Os autores podem utilizar sistemas de inteligência artificial generativa, mediante declaração, para:

  1. revisar a correção linguística, a clareza ou o estilo de textos que eles próprios tenham redigido, sem alterar seu conteúdo argumentativo;
  2. traduzir seus próprios textos, incluindo o título, o resumo e as palavras-chave para o inglês, desde que revisem integralmente a tradução;
  3. localizar possíveis referências bibliográficas ou formular termos de busca, desde que consultem diretamente cada obra utilizada e não substituam sua leitura por resumos, caracterizações ou interpretações gerados pelo sistema;
  4. padronizar a formatação das referências ou adequar o manuscrito às normas editoriais da revista;
  5. elaborar gráficos ou esquemas a partir de dados, argumentos ou relações conceituais definidos por eles próprios, desde que verifiquem se representam esse conteúdo com exatidão.

Nas traduções que a revista publica como contribuições, o uso de tradução automática como apoio deve ser declarado e não dispensa o tradutor de cotejar integralmente sua versão com o texto original. A revista poderá rejeitar traduções que não demonstrem uma revisão filológica e conceitual completa.

Usos não admitidos

Não é admitido o uso de sistemas de inteligência artificial generativa para:

  1. gerar a tese, os argumentos, as interpretações de fontes ou outros conteúdos que fazem parte da elaboração intelectual do trabalho;
  2. produzir citações, paráfrases ou referências que não tenham sido verificadas diretamente na fonte original;
  3. apresentar conteúdo gerado ou alterado por esses sistemas como se fosse uma fonte, um depoimento ou um dado autêntico;
  4. processar dados pessoais ou informações confidenciais de participantes de uma pesquisa sem as garantias exigidas pela política de Ética e independência editorial.

Fazem parte da elaboração intelectual do trabalho, entre outros conteúdos, a formulação do problema e da tese, o desenvolvimento argumentativo, a análise e a interpretação das fontes, o estado da questão, as conclusões, o resumo e as respostas de mérito às observações dos pareceristas. A tradução e a revisão linguística desses conteúdos, quando tiverem sido redigidos pelos autores, seguem as regras dos usos admitidos.

Toda citação direta e toda referência deverão ser verificadas pelos autores na edição que declaram utilizar. A inclusão de referências inexistentes, citações que não correspondem à fonte ou atribuições falsas constitui uma violação da integridade acadêmica, independentemente da ferramenta que lhes tenha dado origem.

Os usos não previstos nesta política serão avaliados conforme a distinção entre forma e elaboração intelectual que a orienta e deverão ser declarados. Em caso de dúvida, os autores podem consultar a Equipe Editorial antes da submissão.

Declaração

Todo uso de inteligência artificial generativa deverá ser informado na seção de declarações prevista pela política de Integridade, originalidade e autoria. A declaração identificará a ferramenta, sua versão e seu fornecedor quando disponíveis, o período de uso, a finalidade e as seções ou tarefas em que foi utilizada, além de confirmar que os autores revisaram o resultado e assumem a responsabilidade pelo conteúdo. Por exemplo:

Uso de inteligência artificial generativa: O autor utilizou o DeepL Pro, versão web, em março de 2026, para traduzir o título, o resumo e as palavras-chave para o inglês. Revisou a tradução e assume plena responsabilidade pelo conteúdo deste trabalho.

Quando nenhuma dessas ferramentas tiver sido utilizada, deverá ser empregada a fórmula estabelecida na política de Integridade, originalidade e autoria. A revista poderá solicitar informações adicionais sobre um uso declarado, como as instruções empregadas ou versões intermediárias do texto, quando forem necessárias para avaliar a integridade do trabalho.

A inteligência artificial como objeto de estudo

Quando uma contribuição analisar textos ou resultados produzidos por sistemas de inteligência artificial como objeto de pesquisa teológica, deverá identificar o sistema, sua versão, a data das consultas e as instruções utilizadas, além de disponibilizar os resultados analisados no próprio texto ou como material complementar. Somente nesses casos tais resultados poderão ser citados, e nunca como fontes de autoridade sobre o tema tratado.

Avaliação por pares

Por razões de confidencialidade e de responsabilidade pelo julgamento acadêmico, os pareceristas não poderão inserir, carregar ou compartilhar, total ou parcialmente, os manuscritos ou os materiais associados em sistemas de inteligência artificial generativa, independentemente da finalidade. Também não poderão utilizar esses sistemas para avaliar o manuscrito nem para redigir ou reformular seus pareceres, que devem expressar seu próprio julgamento. Ao enviar o parecer, deverão confirmar que cumpriram essas condições.

Equipe Editorial

As mesmas restrições se aplicam à Equipe Editorial e a quem participar da gestão dos manuscritos. A revista pode utilizar ferramentas que não geram conteúdo, como sistemas de detecção de similaridade e de verificação de referências, e empregar sistemas de inteligência artificial generativa em tarefas administrativas que não envolvam manuscritos inéditos ou dados pessoais, sob a supervisão e responsabilidade da Equipe Editorial.

Usos não declarados ou não admitidos

Os resultados das ferramentas que estimam a probabilidade de um texto ter sido gerado por inteligência artificial não constituem, por si só, prova de uso indevido, devido à sua margem de erro. A revista poderá considerá-los como um indício, juntamente com elementos verificáveis, como referências inexistentes, citações que não correspondem à fonte ou atribuições falsas.

Diante da suspeita de um uso não declarado ou não admitido, a revista solicitará uma explicação aos autores e procederá conforme a política de Reclamações, recursos, correções e retratações. Antes da publicação, poderá solicitar esclarecimentos ou modificações, ou rejeitar o manuscrito; após a publicação, poderá publicar uma correção, uma expressão de preocupação ou uma retratação, conforme a gravidade do caso. O uso substantivo não declarado é considerado uma violação da integridade acadêmica.

Atualização

A revista revisará esta política quando houver mudanças nas ferramentas disponíveis, nas orientações do COPE ou nas práticas da comunidade teológica e manterá publicada a data de cada versão.

Esta política toma como referência a posição do COPE sobre autoria e ferramentas de inteligência artificial.