À flor da pele: quando uma etnografia da violência escolar encontra o racismo estrutural brasileiro

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Resumen

Elaborado a partir de uma pesquisa de cariz etnográfico, o artigo discute conexões  existentes entre violências ocorridas nas relações escolares, produção social da diferença étnico-racial e racismo estrutural. A pesquisa deu-se em uma escola pública do interior do estado de Minas Gerais, Brasil, e teve como participantes uma turma de estudantes da última série do ensino fundamental II. A imersão em campo teve uma duração de dois semestres letivos, envolvendo observação, conversas informais, registros em cadernos de campo, além da aplicação de questionários e de uma técnica de interpretação de desenhos. O percurso investigativo confirmou a presença de marcadores sociais de identidade/ diferença nas bases das principais situações de violência ocorridas no âmbito escolar, e revelou que a violência tende a ser naturalizada quando tais marcadores são étnico-raciais. Outros achados relevantes foram a estigmatização e a negação do corpo negro, compondo um quadro de normatização da branquitude no espaço escolar.

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Fernanda Telles Márques
Biografía del autor/a

Fernanda Telles Márques, Universidade de Uberaba

Cientista social com Mestrado e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Pós-doutorado em Estudos Culturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PACC/UFRJ). É professora/pesquisadora da Universidade de Uberaba, atuante no Programa de Pós-graduação em Educação (Mestrado e Doutorado), no curso de especialização em Teoria Psicanalítica e na graduação em Medicina. Líder do GEPEDiCi - Grupo de Estudos e Pesquisas Educação na Diversidade para a Cidadania (CNPq/UNIUBE), e membro efetivo da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).

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